DIGITALIZAÇÃO DA FNRH AVANÇA, MAS AMPLIA DESEQUILÍBRIO NO SETOR QUE EXIGE REVISÃO URGENTE DAS REGRAS, DIZ VER. GILBERTO NASCIMENTO
Enquanto a hotelaria formal enfrenta desafios operacionais com a implantação do check-in digital, hospedagens de curta temporada seguem fora das mesmas exigências, reacendendo o debate sobre isonomia no setor.
A digitalização da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) representa um avanço relevante no processo de modernização da hotelaria brasileira. A proposta de centralizar informações, ampliar o controle e fortalecer a segurança dos dados está alinhada com a evolução do setor e com as demandas contemporâneas do turismo.
No entanto, a forma como a medida vem sendo implementada tem gerado preocupações importantes entre os empreendimentos hoteleiros, tanto no aspecto operacional quanto no equilíbrio regulatório.
Desafios operacionais marcam a implantação
Na prática, a adoção da FNRH Digital tem exigido uma rápida adaptação por parte dos hotéis, muitas vezes sem o tempo necessário para adequação completa dos processos internos.
Entre os principais desafios observados, destacam-se:
- instabilidades e inconsistências no sistema
- dificuldades de integração com softwares de gestão já utilizados pelos empreendimentos
- aumento da carga operacional nas equipes de recepção
- necessidade de adaptação imediata, sem período de transição estruturado
Além dos desafios técnicos e operacionais, o setor também observa uma crescente resistência por parte dos hóspedes em relação ao uso da plataforma digital.
A exigência de autenticação por meio da conta gov.br, embora tenha como objetivo reforçar a segurança e a integração de dados, ainda gera insegurança em parte dos usuários, especialmente no que diz respeito à proteção de informações pessoais.
Relatos recorrentes apontam que muitos hóspedes demonstram receio quanto ao compartilhamento de dados sensíveis, o que acaba impactando diretamente o fluxo de check-in e exigindo ainda mais preparo das equipes para orientação e suporte durante o atendimento.
Esse cenário afeta diretamente a experiência do hóspede e impõe novos desafios à operação, exigindo investimentos adicionais em treinamento, tecnologia e suporte.
Desequilíbrio regulatório se torna mais evidente
Paralelamente às dificuldades enfrentadas pela hotelaria formal, a implementação da FNRH Digital evidencia um ponto crítico: a ausência de exigências equivalentes para outros modelos de hospedagem.
Plataformas de curta temporada seguem operando sem a obrigatoriedade de registro padronizado, integração com sistemas oficiais ou controle estruturado de hóspedes.
Esse cenário reforça uma assimetria regulatória significativa, na qual apenas parte do setor assume responsabilidades mais rigorosas, impactando diretamente a competitividade e a equidade do mercado.
Avanço legislativo aponta para necessidade de isonomia
Diante desse contexto, ganha relevância o posicionamento do vereador Gilberto Nascimento, que defende o avanço do PL 194/2026, iniciativa que propõe maior controle e regulamentação das hospedagens de curta duração.
A proposta prevê:
- cadastro obrigatório dos imóveis destinados à locação por temporada
- registro de hóspedes
- identificação de responsáveis pelas unidades
- ampliação da rastreabilidade das operações
Medidas que caminham na direção de um princípio essencial para o setor: a aplicação de regras claras e equivalentes para todos os agentes envolvidos na atividade turística.
Setor se mobiliza para diálogo institucional
O tema ganha ainda mais relevância no âmbito institucional e passa a ser tratado com prioridade pelas entidades representativas.
Na tarde desta terça-feira, o SindHoteis participa de discussões estratégicas sobre os impactos da FNRH Digital e seus desdobramentos para a hotelaria.
Entre as possibilidades em análise, está o protocolo de uma manifestação formal da CNTur junto ao Ministério do Turismo, com o objetivo de:
- relatar as dificuldades enfrentadas na implantação do sistema
- propor ajustes que considerem a realidade operacional do setor
- reforçar a necessidade de isonomia regulatória
O diálogo com as autoridades é considerado essencial para garantir que avanços tecnológicos sejam implementados de forma estruturada, eficiente e equilibrada.
Posicionamento do SindHoteis
O SindHoteis reconhece a importância da digitalização como instrumento de modernização, controle e segurança para o setor hoteleiro.
No entanto, reforça que a evolução do turismo deve ocorrer de forma responsável e equilibrada, considerando não apenas os avanços tecnológicos, mas também a viabilidade operacional e a equidade entre os diferentes modelos de hospedagem.
A construção de um ambiente competitivo justo passa, necessariamente, pela aplicação de regras proporcionais, coerentes e aplicáveis a todos.
O SindHoteis segue acompanhando o tema de forma ativa e atuando na defesa de um setor mais estruturado, seguro e alinhado com os desafios atuais do turismo.