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FNRH DIGITAL SE TORNA OBRIGATÓRIA, MAS ADESÃO AINDA É DESAFIO NO SETOR HOTELEIRO PAULISTA

FNRH Digital se torna obrigatória, mas adesão ainda é desafio no setor hoteleiro paulista

A implementação da nova Ficha Nacional de Registro de Hóspedes Digital (FNRH), desenvolvida pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro, representa um avanço relevante na modernização do setor hoteleiro brasileiro. A ferramenta passa a ser obrigatória a partir de 20 de abril e tem como objetivo otimizar o processo de check-in, ampliar a segurança no tratamento de dados e eliminar o uso de formulários físicos.

No Estado de São Paulo, entretanto, o cenário ainda apresenta desafios significativos. Dados recentes apontam que aproximadamente 80% dos meios de hospedagem ainda não concluíram a adequação ao novo sistema, evidenciando entraves estruturais e financeiros, especialmente entre pequenos e médios empreendimentos.

A FNRH Digital permite o preenchimento antecipado das informações dos hóspedes por meio da integração com a plataforma Gov.br, com acesso via QR Code, link ou dispositivos disponibilizados pelos próprios estabelecimentos. Além de proporcionar mais agilidade no atendimento, a ferramenta contribui para a geração de dados estratégicos, auxiliando o planejamento e o desenvolvimento do turismo nacional.

Apesar dos benefícios operacionais e tecnológicos, entidades representativas do setor, como o SINDHOTÉIS-SP e a FHORESP, avaliam que o prazo para implementação tem se mostrado desafiador diante da realidade econômica de grande parte dos empreendimentos. Muitos ainda enfrentam impactos financeiros decorrentes do período pandêmico, o que limita a capacidade de investimento em infraestrutura tecnológica no curto prazo.

Outro ponto de atenção refere-se à necessidade de um período adicional de adaptação antes da aplicação de sanções. Na avaliação das entidades, medidas punitivas neste momento podem comprometer a adesão gradual e sustentável ao sistema, retardando um processo que, do ponto de vista estrutural, é considerado positivo e necessário para o avanço da hotelaria.

A transição para o modelo digital está prevista na atualização da Lei Geral do Turismo e segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), assegurando que as informações dos hóspedes sejam tratadas em ambiente seguro, com acesso restrito e controle adequado.

Nesse contexto, também se observa uma relutância por parte de alguns hóspedes quanto à utilização da senha Gov.br para a assinatura digital da FNRH. O setor avalia que essa exigência poderia ter sido amplamente divulgada perante aos hóspedes pelo Ministério do Turismo, a fim de evitar situações de desconforto e constrangimento nas recepções dos Meios de Hospedagens Estabelecidos no Brasil afora, especialmente diante da falta de familiaridade de parte dos usuários com o processo digital.

Diante desse contexto, o setor reforça a importância do diálogo entre o poder público e os representantes da hotelaria, a fim de garantir uma implementação equilibrada, que contemple tanto a modernização dos serviços quanto a realidade operacional dos meios de hospedagem.



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